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A MORTE DO PASSADO

Uma
casa em estilo colonial
telhado marrom escuro, paredes brancas, janelas e portas
azuis.
Na entrada da moradia uma escada de granito.
No primeiro degrau, olhando para baixo
estava uma senhora.
Observava seriamente o visitante recém-chegado.
O seu passado tocou a campainha e aguardava.
Ela hesitava em descer e abraçar este seu velho
conhecido.
Não se atrevia a dizer-lhe que se aproximasse.
O fitava nos olhos, não se envergonhava dele.
Ele, silencioso, desfilava diante dela situações
marcantes,
a conduziu a uma viagem interior
a levando ora ao sorriso, ora as lágrimas.
Trouxe todas as malas, veio para ficar.
Ela afastou-se dois passos.
Como um fantasma ele foi subindo lentamente.
Ela continuou a andar para trás sem se voltar e
subitamente gritou:
__ “Pare! Você não tem controle sobre mim!”
E o empurrou escada abaixo.
O passado se partiu em mil fragmentos.
O vento espalhou várias partes por todos os lados.
Choveu, molhando e apagando seus rastros.
A senhora triunfante abriu a porta,
e a fechou com estrondo atrás de si.
O passado recuou na linha do tempo
retornando a época a qual pertencia...
TEMPESTADE DA
VIDA

Era a árvore mais
bela da floresta.
Suas folhas formavam uma linda copa.
Seus frutos muito doces.
Os pássaros disputavam seus galhos.
Cada ser da natureza tem sua história,
esta, seu dossiê é demasiado triste.
No auge da juventude
devastaram a mata ao seu redor.
E então, primeiro rarearam seus frutos,
depois, o vento arrancou suas folhas amareladas.
Não mais recebeu sol e água.
Seu tronco se deformou...
O ar se tornou poluído...
A região se transformou num deserto...
Perdeu o vigor de existir.
Sua beleza se desgastou,
envelheceu precocemente
A tempestade da vida pesou sobre ela.
Já não era mais ela,
e sim, uma caricatura do que foi um dia.
Um viajante que outrora passara por ali
e descansara a sua a sombra,
diante dela tirou o chapéu da cabeça,
com as lágrimas escorrendo pela face, perguntou:
__ “O que aconteceu com você???”
TIRANO INTERIOR

Um ser invisível
ao olhar humano,
usando chapéu e capa pretas até os joelhos,
com a mão esquerda segura a mão direita de uma mulher.
Ela está trajando vestido verde claro,
está grávida, no final da gestação.
As paredes ao redor de ambos são vermelhas.
Ele está com a mão direita erguida para o alto,
como quem diz: “Pare!”
Ele escuridão, obstáculos, opressor.
Ela esperança,
o sangue corre em suas veias, tenta viver.
Um candelabro de cristal dourado paira sobre eles,
sua função é derrotar a insegurança.
Ela não o vê, apenas sente o peso de seus atos sobre si.
Opressão, que dificulta seu crescimento pessoal.
Este vulto vigia seus passos,
a persegue por onde ela for.
São seus preconceitos, seus temores interiores,
normas arcaicas que a sociedade lhe impôs,
e a impede de seguir adiante.
Barreiras que lhe impossibilita ser ela mesma.
Do seu ventre nasceu a revolta,
fruto de uma prisão no recôndito do seu íntimo,
que explodiu e estraçalhou a redoma que a envolvia.
Assassinou o tirano interior.
Saiu correndo e abriu a porta da vida,
mas, ficou parada segurando a maçaneta e olhando para
fora,
com medo da liberdade do pensamento.
*Breve comentário
da autora*
- A morte do Passado : (Eu ficava pensando em coisas do
passado, era quase uma tormenta, mas um dia consegui
parar de pensar nas coisas tristes e ruins que já me
aconteceram...)
- Tempestade da vida : (Foram tantas coisas tristes que
me sucederam que amadureci (e envelheci) um pouco...
- Tirano Interior : (Sofri muitas influencias negativas,
normas arcaicas que me causaram muitos temores durante
toda a minha vida, mas um dia me senti livre de toda
opressão interior, mas fiquei parada sem saber o que
fazer com a minha liberdade de pensamento de tão
acostumada que estava com a minha vida anterior...)
*A Música que mais gosto é do filme Fernão Capelo
Gaivota: "Lonely Looking Sky" (Neil Diamond) ( ligue o
som). Talvez eu seja um pouco como o Fernão Capelo
Gaivota que fugiu de casa para encontrar a liberdade,
mas a diferença entre ele e eu é que eu ainda não voltei
para casa... fugi em busca de mim mesma, mas ainda não
me encontrei...

http://www.rosimeiremotta.com.br/

Música: Lonely Looking Sky,
by Neil Diamond

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