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Alma Poeta

A alma poeta é uma
engenhosa expressão de Deus, que guarda dentro de si,
palavras silenciosas e sentidas que encerram seus
segredos!...
Mas, quando desperta para a arte, sente um indescritível
deleite em versejar, para acalentar o coração, daquele
que, ao compreender suas mensagens, inebria-se tomado de
plenitude ou de êxtase.
Ela contempla, incitada pela alegria, o rosicler
d’aurora e o pôr-do-sol! A lua cheia afogueada,
mergulhada abaixo do horizonte e as estrelas na noite!
As flores colorindo os viçosos jardins e campos! As
matas fechadas com grandes árvores e arbustos! Os
riachos reluzindo um claro azul, os rios com suas
céleres corredeiras, ou o magnífico mar! Aprecia ainda a
criança brincando alegre em um lindo parque onde
esvoaçam pássaros cantantes!...
Enfim, diante de tanta Poesia, a alma poeta desdobra a
si mesma!...
Descortina também a tristeza! - então, a melancolia e o
desvario se fazem presentes... - pois, anda por todos os
caminhos e sofre os desalentos para curar os tristes...
Os momentos transmudam... Mas não o seu amor e a sua
aspiração em desvelar os sentimentos, que sequiosos, a
conduz até o limiar dos versos...
Porém, jaz no seu âmago, uma solidão infinda... Pois, se
percebe incompreendida, como um oceano sem fronteiras e
sem limites, que percorre murmurante, revelando os
tesouros cristalizados em suas profundezas...
Então, é chamada de alma sonhadora ou alma louca – que
transcende a própria emoção... - e na verdade, é apenas
minh’alma poeta!
© Daura Brasil
ACALENTO

Acalenta-me o ardor,
o seu carinho!
Não, não sabe o quanto me deleito...
Jamais me hão de dar outro assim!
Ah! quero-o muito... só p’ra mim!...
Embriaga-me celeste noite enluarada,
Com as estrelas cintilantes bordada...
E que vibram com um amor tão lindo!
Tanta ternura... ecoa delicado hino!...
E nos meus sonhos, que não desvendo,
Ao despertar, mui feliz, ainda o sinto...
E mais me agarro na doce lembrança!
Sorrio p’ro dia, que belo, me encanta!
©Daura Brasil
ASAS DO ESPÍRITO DA NOITE

Na calada d’alta
noite, quando adormeço,
Minha essência celebra um afável sossego,
Pois, navega bem distante, em liberdade...
Pra sentir queridas plagas, com saudade!
Às vezes, ela retorna alegre e harmoniosa,
Noutras, plange seu aportar, melindrosa,
Mas, num sublime gesto, faz-me olvidar...
E sutil, acalenta-me num suave despertar!
Abro os olhos e encanto-me com a aurora,
E fico a olhar o céu, como fosse divina tela!
Minh’alma há de aninhar a sua aspiração...
E fazer perceptível o que me dita o coração:
Em prece, adentramos no templo sagrado,
E a Voz Silente que vive em nosso ser alado,
Doutrina, fortalecendo as asas d’ espírito...
Ressoando clareza em nosso pensamento.
Emancipação d’alma, de mistério é cingida,
Mas, n’ aragem do Amor, se torna serenada;
Pode, neste estado, doce alento encontrar...
E as sombrias emoções em Luz transmutar!
©Daura Brasil
http://recantodasletras.uol.com.br/autor.php?id=5197

Música: An Affairto Remember,
by Emile Pandolfi

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